Dia Nacional do Braile: Há 25 anos, Antônia usa Sistema Braile para orientar e servir ao público

Na última segunda-feira (8) foi comemorado o Dia Nacional do Braile e a data propõe uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelas pessoas cegas e a importância de continuar a produzir obras em relevo, para proporcionar-lhes iguais oportunidades de ler e aprender. Ser portador de alguma deficiência visual não impede que a pessoa realize trabalhos que outra não cega realizaria. Dentre as muitas atividades, pode-se destacar o serviço de telefonista em que a consulta a uma agenda telefônica impressa no Sistema Braile, facilita o atendimento adequado ao interlocutor do outro lado da linha.

Este é o caso da Antônia Nolasco de Barros Miranda (50), que trabalha há 25 anos como telefonista da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e utiliza o braile para escrever e ler as anotações na agenda telefônica. 

A lista telefônica que a Antônia utiliza tem o número de todos os setores da Sesau, bem como de hospitais e outras unidades da Prefeitura de Campo Grande. Impressa em Braile pelo Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos, Florivaldo Vargas (ISMAC), a agenda facilita o trabalho para informar quem está do outro lado da linha.

“Muitas vezes tenho memorizado o número do ramal e nem preciso consultar a agenda. Quando não me recordo ou houve mudança no número, consigo fazer a leitura do número impresso na lista telefônica, informar e transferir a ligação”, explica Antônia.

Algumas anotações ela mesma faz utilizando a prancha de madeira e o “reglete” específicos para escrita em braile. Para escrever, é preciso usar o puncionador no sentido da direita para a esquerda. Para ler o que foi impresso é preciso virar a página e sentir as marcações utilizando o mesmo sentido de leitura visual, da esquerda para a direita.

Ela explica que o Sistema Braile permite ao cego a inserção no mercado de trabalho, pois a pessoa pode aprender a ler e escrever. “Tive o primeiro contato com o braile aos 15 anos por meio da alfabetização no ISMAC. Com os cursos oferecidos pela instituição pude me organizar e me preparar para estudar e passar no concurso da Prefeitura”.

Sempre atendendo as ligações com muita educação e clareza, Antônia garante que nunca teve problemas com outros colegas de trabalho ou com as pessoas do outro lado. “Respeitar os outros, independente de quem seja, esse é o nosso papel, mesmo que o outro não seja tão cordial quanto eu”, explica.

O Sistema Braille é considerado obra magistral do francês Louis Braille e sua versão mais conhecida data de 1837. O Dia Nacional do Sistema Braille celebra, em 8 de abril, o nascimento de José Alvares de Azevedo, primeiro professor cego do Brasil, que trouxe da França, ensinou e divulgou o sistema de leitura e escrita usado, atualmente, por milhões de pessoas cegas e com deficiência visual em todo o mundo.

http://www.campogrande.ms.gov.br/cgnoticias/wp-content/uploads/sites/3/2019/04/WhatsApp-Video-2019-04-09-at-09.46.21.mp4?_=1
  • Ao andar com uma pessoa cega, deixe que ela segure seu braço. Não a empurre: pelo movimento de seu corpo, ela saberá o que fazer;
  • Ao estar com ela durante a refeição, pergunte-lhe se quer auxílio para cortar a carne, o frango ou para adoçar o café, e explique-lhe a posição dos alimentos no prato;
  • Ao auxiliar a pessoa cega a atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela necessita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em LINHA RETA, ou ela poderá perder a orientação;
  • Se ela estiver sozinha, IDENTIFIQUE-SE SEMPRE ao se aproximar dela. Nunca empregue brincadeiras, como: “Adivinha quem é?”;
  • Ao ajudá-la a sentar-se, coloque a mão da pessoa cega sobre o braço ou encosto da cadeira e ela será capaz de sentar-se facilmente;
  • Ao observar aspectos inadequados quanto à sua aparência, não tenha receio em avisá-la discretamente a respeito de sua roupa (meias trocadas, roupas pelo avesso, zíper aberto etc.);
  • Ao orientá-la, dê direções do modo mais claro possível. Diga DIREITA ou ESQUERDA, de acordo com o caminho que ela necessite. NUNCA use termos como “ali” ou “lá”;
  • Se conviver com uma pessoa cega, NUNCA deixe uma porta entreaberta. As portas devem estar totalmente abertas ou fechadas. Conserve os corredores livres de obstáculos. Avise-a se a mobília for mudada de lugar;
  • Se você for a um lugar desconhecido para a pessoa cega, diga-lhe, muito discretamente, onde as coisas estão distribuídas no ambiente e quais são as pessoas presentes. Se estiver em uma festa, veja se ela encontra pessoas com quem conversar, de modo que se divirta tanto quanto você;
  • Ao apresentá-la a alguém, faça com que ela fique de frente para a pessoa apresentada, evitando que a pessoa cega estenda a mão, por exemplo, para o lado contrário em que se encontra essa pessoa;
  • Ao conversar com uma pessoa cega, fale sempre diretamente com ela, e NUNCA por intermédio de seu companheiro. A pessoa cega pode ouvir tão bem ou MELHOR QUE VOCÊ;
  • NÃO EVITE as palavras “ver” e “cego”: use-as sem receio;

Fonte: A Crítica de Mato Grosso