Oficina do Uso de Máquina de Escrever Braille inicia na Escola Louis Braille

Hoje pela manhã começou a oficina de Uso da Máquina de Escrever Braille na sede da Escola Louis Braille às 9h. Ela é ministrada pelas professoras do Centro de Atendimento Educacional Especializado (AEE) da escola, Louise Nunes da Rosa e Simone Pinto Carneiro.

Elas iniciaram com uma breve explanação do histórico da máquina braille e seus diversos modelos e fases. Também ressaltaram a importância da escrita e do sistema braille para a autonomia das pessoas com deficiência visual. Embora elas reconheçam a importância da tecnologia e das novas ferramentas , mas o sistema braille é necessário para que as pessoas com deficiência visual sejam independentes e e ainda é uma melhores formas de se aprender.

A participante da oficina, Jovânia Pereira,nos falou um pouco de iniciativas como a da oficina. ” Está muito legal, fiz um curso da escrita braille e aí por motivos pessoais , passei por diversas cirurgias não tive o rendimento na máquina. Então, agora que vi que tinha essa oficina, aí me inscrevi para fazer e concluir a etapa anterior que não tinha tido essa experiência”, relata. Jovânia salienta ainda a importância pedagógica do sistema e da escrita braile. ” O Braille é fundamental porque nós professores precisamos estar bem qualificados , eu mesma tenho um aluno com deficiência , como ajudar e tratar esse aluno”,finaliza.

Já a outra participante também professora , Simone Tavares, relata a importância dessa atividade. “Eu soube da oficina através da rede social. Ela é extremamente importante. principalmente para nós professores da rede regular de ensino e que temos alunos com deficiência visual. Então é muito importante essa qualificação. Sou da rede municipal e sinto essa necessidade de qualificar ainda mais meu trabalho até para atendê-los melhor , com mais qualidade, até para saber o que está sendo feito”. Simone ainda ressalta o auxílio de mecanismos como a máquina para quem tem deficiência visual. ” Sim, é importante para eles conviverem melhor na sociedade, ocuparem outros espaços. principalmente na escola regular. Reafirmo que é importante que ele sabe em que nós professores ainda mais eu que sou professora de AEE , me qualifique e poder dar total apoio , saber o que estou fazendo. Então, isso é fundamental”.

Depois, houve a parte prática de como lidar com as máquinas de escrever braille com auxílio do alfabeto braille.

A oficina será frequente na Escola Louis Braille na RUA ANDRADE NEVES, 3084. Inscrições para a próxima turma no email adaptacaomaterial@outlook.com.




Histórico sobre as Máquinas de Escrever Braille

Um pouco da Máquina Perkins Brailler, máquina tradicional fabricada pela primeira vez em 1951 e usada ainda hoje, no mundo inteiro.Ela não é a primeira máquina com este formato (similar ao da datilográfica). O superintendente da Illinois School for the Blind (Escola para Cegos de Illinois), Frank H. Hall, inventou em 1892 a primeira máquina de escrever em Braille com tal formato, já que as anteriores tinham designs que não colaboravam com o lado prático ou funcional: algumas deixavam a folha inteira deitada, com o equipamento de relevo passando por cima dela; outras perfuravam rolos de fita de papel e eram grandes demais. E, por mais que não tenham sido aceitas como as mais funcionais, certamente foram pioneiras no processo de tornar a escrita Braille menos demorada.

De volta à criação de Hall, ela consistia de seis teclas frontais, cada uma correspondente a uma das células Braille. A máquina continha um carrinho onde se colocava uma folha por vez e assim se escrevia, ao pressionar, ao mesmo tempo ,as teclas correspondentes à letra que se queria formar.

Então ela foi usada intensamente por muitos anos. Ainda assim, porém, não era considerada ideal. A Perkins School for the Blind (Escola Perkins para Pessas Cegas), fabricou várias máquinas similares à de Frank H Hall. Mas elas apresentavam problemas constantes. Eram feitas individualmente, então não eram consistentes uma com a outra; quebravam facilmente com a queda, eram barulhentas, caras e precisavam de reparos frequentes. Mas continuaram sendo usadas por muitos outros anos, na impossibilidade de uma solução melhor para os alunos.

E em 1941, após passar anos trabalhando sozinho em seu porão em Massachusetts, o inglês David Abraham criou o que é conhecida, ainda hoje, como a Perkins Brailler , ou a máquina de escrever em Braille da Perkins. Este modelo é fabricado, nos dias atuais, de acordo com as especificações originais. E é muito bem aceito.

O mais interessante é a maneira como David Abraham conheceu a Escola Perkins. Podemos chamar de acaso, se é que foi isso mesmo. Um artesão altamente qualificado, por causa da Grande Depressão ele precisou abrir mão de sua especialidade e aceitar qualquer emprego que lhe aparecesse. Ao realizar um trabalho na rua, ele notou a placa da Escola Perkins e entrou para pedir emprego. Foi aceito e começou a trabalhar como instrutor no departamento de Treinamento Manual. Foi então que seu talento chamou a atenção e chegou aos ouvidos do diretor da escola. Que, então, o convidou para criar uma máquina de escrever que atendesse a algumas especificações. Deu no que deu.

Hoje já existem outros modelos de máquinas Perkins: a Next Generation e a Smart Perkins (além da versão elétrica do modelo original). A Smart Perkins tem visor e saída de áudio, que mostram e falam cada letra que está sendo digitada, e é um grande passo à frente no ensino e no aprendizado do Braille. 
O modelo tradicional se mantém como uma aquisição de enorme utilidade para pessoas que escrevem e leem em Braille. Há pessoas que têm uma mesma máquina desta há anos, e continuam com a escrita muito produtiva. A fonte dessa informação é do Blog Civiam.