Deficientes visuais superam as dificuldades e fazem cursos de cabeleireiro e barbeiro em Pelotas

Deficientes visuais superaram as dificuldades e começaram a fazer cursos de cabeleireiro e barbeiro em Pelotas, na Região Sul do estado. O curso é oferecido pelo profissional Eduardo Ferreira Schmit, que quis fazer a diferença e implementou a iniciativa.

“A gente entrou em contato com a Escola Louis Braille, que é o pessoal que trabalha com os deficientes visuais, e a gente pediu se alguém queria fazer o curso de barbeiro ou de cabeleireiro, que eu estaria disponível a ensinar”, conta Eduardo.

O deficiente visual Fernando dos Santos realiza o curso há um ano e meio.

“Eu já era cliente do salão quando fui convidado para fazer o curso. Eu achei bacana, interessante e acho legal aprender, quanto mais se aprende melhor”, afirma.

Há cinco anos, Simone Martins perdeu a visão por causa de um glaucoma. Sem enxergar, ela ganhou mais sensibilidade com o toque, e foi assim, sentido o fio do cabelo, a espessura, que ela ganhou mais confiança.

“No início foi difícil, o professor teve que trabalhar um mês comigo. Mas agora é fácil, consigo sentir a textura do cabelo, onde fica o friso para poder fazer um corte perfeito”, relata.

Simone faz curso de cabeleireiro em Pelotas — Foto: RBS TV/Reprodução

Simone faz curso de cabeleireiro em Pelotas — Foto: RBS TV/Reprodução

Eduardo conta que Fernando e Simone criaram as próprias técnicas.

“Em muitas coisas eu botava a minha técnica e ela tocava e falava ‘não, Eduardo, acho que assim, não, desse jeito é melhor’. E eu respondia ‘ok, vamos fazer conforme tu se sinta melhor'”, conta o cabeleireiro.

Simone conta que aprendeu técnicas, formas de cortar e escovar. Mesmo já tendo enfrentado preconceito e desconfiança das pessoas, segue firme, provando que nenhuma deficiência é capaz de impedi-la de ser feliz.

“Meu sonho é que as pessoas tivessem menos preconceito, julgassem menos. Porque muitos acham que eu não enxergo e que eu devo fazer as coisas em casa, que eu siga a minha vida. Eles julgam muito” , afirma.

Antes de ficar cega, nem passava pela cabeça da Simone trabalhar como cabeleireira. Depois do curso e dos novos aprendizados, todo processo virou mais do que um sonho de ter uma profissão.

“Só de saber que eu fui capaz de aprender, para mim já é muito. Provar, para mim mesma, que sou capaz”, conta.

Fernando também não desiste de sonhar. “Quem sabe, eu, com a parceira [Simone], montamos um salão de cegos para corajosos”, relata, rindo.

Fonte: G1 RS-RBSTV PELOTAS