Trabalho de orientação e mobilidade no Centro de Reabilitação Visual da Escola Louis Braille.

O Centro de Reabilitação Visual da Louis Braille possui uma série de atendimentos para reabilitação, adaptação visual e motora das pessoas com deficiência visual. Uma delas, é o de orientação e mobilidade através da bengala coordenado pela professora Fernanda.

Um dos beneficiados com esse atendimento é o seu Ivon Rodrigues de 58 anos que tem baixa visão. Ele nos conta um pouco da sua trajetória até aqui. “Estou gostando desde a primeira vez que entrei aqui eu me sinto em casa. Só eu tenho deficiência visual no caso baixa visão na família”, relata. Ele lembra que a sua chegada ao centro de reabilitação foi graças à secretaria municipal de saúde de Pinheiro Machado que o encaminho para cá e conseguiu passe livre da escola.

A professora Fernanda também relata a importância do trabalho de orientação e mobilidade. “Esse nosso trabalho é muito importante para mobilidade dos alunos e tem melhorado muito a vida como a do seu Ivon. Por isso é importante o aluno aprender as técnicas, participarem das aulas”, Ela lembra ainda as diversas pessoas que foram atendidas aqui e a evolução delas. ” Estiveram aqui os mais diversos públicos desde crianças, que estão aprendendo orientação e mobilidade, os adultos que vem e começa sua nova caminhada ,pessoas que vem alguma depressão por causa da perda de visão, e assim estão agregando a um novo mundo , uma nova forma de ver as coisas e estão evoluindo muito. Elas saem daqui melhores, mais felizes por ter a possibilidade de fazer uma caminhada nova, uma nova adaptação e outras situações”, finaliza.

Atendimentos acontecem sempre no Centro de Reabilitação Visual pela rua Padre Felício de maneira tradicional durante a manhã e à tarde. Já à noite pelo Projeto Pronas de segunda a sexta das 17h30min ás 20h e sábados das 8h às 13h.

Um pouco do atendimento de hoje com o seu Ivon;

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, telefone e área interna
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, sentado e área interna
A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé

Um pouco mais sobre Orientação e mobilidade

A ‘Orientação’ para a pessoa com deficiência visual é o aprendizado no uso dos sentidos para obter informações do ambiente: saber onde está, para onde quer ir e como fazer para chegar ao lugar desejado. A pessoa para se orientar pode usar a audição, o tato, a cinestesia (percepção dos seus movimentos corporais), o olfato e a visão residual, quando for o caso.

A ‘Mobilidade’ para a pessoa com deficiência visual é o aprendizado para o controle dos movimentos corporais de forma organizada, segura e eficaz. Esse processo de aprendizagem pode ocorrer de forma espontânea para algumas pessoas. Outras necessitam da intervenção específica por meio de um programa de Orientação e Mobilidade (OM).

Bengala branca

Já nos primórdios da humanidade espontaneamente algumas pessoas com deficiência visual passaram a usar alguma ‘bengala’ para se locomover: cajado, bastão, vara de bambu, galho de árvore…

No século passado foi institucionalizada a ‘bengala branca’ como um símbolo da cegueira, porém a primeira forma sistematizada e eficaz para a locomoção das pessoas cegas foi o cão-guia. O primeiro projeto bem-sucedido ocorreu na Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1916 o doutor Gehard Stalling criou a primeira escola para treinamento de cães-guia com o objetivo de atender combatentes alemães atingidos pela cegueira.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. O estoque de bengalas da Laramara. Fim da descrição.

Entretanto nem todos puderam ser beneficiados por essa forma de locomoção no mundo todo. Mais uma tragédia humana aconteceu e quase no final da Segunda Grande Guerra, os programas de reabilitação nos Estados Unidos passaram a se deparar com um enorme contingente de veteranos de guerra vítimas das mais diversas lesões. Muitos adquiriram a condição da deficiência visual e um grande desafio passou a ser a locomoção independente.

Então, em 1944, criaram-se as técnicas com a bengala longa, que resultaram em um novo conceito: Orientação e Mobilidade.

O mérito inicial foi do tenente e oftalmologista doutor Richard Hoover por sua perspicácia, estudo e liderança na modificação do comprimento da bengala e no uso das técnicas. Na sequência, muito se deve a Warren Bledsoe pelo seu ativismo na desconstrução de burocracias e na reformulação de políticas públicas nos programas de reabilitação. Por fim, e muito significativo, foi o protagonismo de Russ Williams, soldado cego que teve papel fundamental na disseminação dessas novas técnicas entre as pessoas com deficiência visual nos Estados Unidos. Foi uma simples, nova e mais democrática possibilidade que se expandiu pelo mundo.

A fonte dessa informação é do Portal Acesse.