A Veever é uma startup de mobilidade para pessoas com deficiência visual

O que faz:
É um dispositivo que se comunica com um app e por meio de um assistente de voz auxilia pessoas com deficiências visuais a se locomover com mais facilidade e a ter maior interação com o ambiente urbano.

Que problema resolve:
“Atualmente no país existem cerca de 600 mil pessoas cegas e mais de 6 milhões de pessoas que enxergam pouco ou quase nada. Infelizmente, as cidades não são projetadas para atender às necessidades especiais desse público. A realidade de grandes centros urbanos evidencia: calçadas sem pisos táteis, cruzamentos perigosos sem alertas sonoros, colaboradores sem treinamento prévio para interação com essas PCDs, meios de transporte que não provém acessibilidade. No entanto, o que mais dói a essas minorias é o sentimento de abandono, de descaso e, principalmente, de não pertencimento”, dizem os fundadores.

O que a torna especial:
Segundo os sócios, a startup é a primeira empresa no Brasil a abordar questões de mobilidade para pessoas com deficiência visual por meio de pequenos dispositivos chamados “beacons”, que enviam sinais bluetooth, e software (uma plataforma web e um aplicativo mobile) para auxiliar na mobilidade e interação com o ambiente urbano para pessoas com deficiência visual. “Por exemplo, quando instalamos esses pequenos dispositivos em linhas de ônibus, o deficiente visual usará o aplicativo móvel como auxílio para chegar ao ponto, saber qual linha está chegando e também qual é a próxima parada. Assim, o usuário não terá mais dependência em pedir informação a outras pessoas ou de parar todos os ônibus que passam e perguntar ao motorista se é o veículo correto. O Veever também pode fornecer informações mais qualitativas. Por exemplo, quando instalado em um museu, ele não apenas guia os usuários pelo espaço, como também fornece informações sobre cada obra.”

Modelo de negócio:
Os estabelecimentos e instituições dos setores público ou privado (ônibus, lojas, museus, restaurantes, shoppings, escritórios, fábricas, empresas etc.) interessados em implementar a solução pagam um valor mensal que parte de 40 reais e o preço varia conforme o número de beacons instalados. Além disso, há também uma taxa inicial única para aquisição dos beacons de 80 reais por dispositivo.

Fundação:
O projeto foi idealizado em novembro de 2015, tendo sido vencedor da Hackathon da Prefeitura de Curitiba. Iniciou focado em trabalhar unicamente com o setor público e, mais especificamente, com a Prefeitura de Curitiba. O avanço das tecnologias permitiu sua viabilidade e, após pivotar, em setembro de 2018, o Veever deixou de ser um projeto e passou a se estruturar como startup, e será lançada durante o 2º semestre de 2019 em estabelecimentos de iniciativas públicas e privadas.

Sócios:
João Pedro Novochadlo — Design, Marketing e ComunicaçãoJoão Guilherme Mansur Baglioli — Finanças e BusinessLeonardo Custódio — Desenvolvedor Full StackLohann Coutinho — Desenvolvedor Full Stack

Fundadores:

João Pedro Novochadlo — 27 anos, Curitiba (PR) — é formado em Publicidade e em Engenharia Elétrica. Participou da Apple Developer Academy, programa da Apple de capacitação de profissionais nas área de Design, Programação e Gerenciamento de Projetos. É sócio-fundador da Experio e designer specialist no Robô Laura.

João Guilherme Mansur Baglioli — 27 anos, Curitiba (PR) — é formado em Engenharia Civil pela PUC-PR, com parte da graduação na Universidade de Melbourne (Austrália). É cofundador da Zenium.

Leonardo Custódio — 27 anos, Curitiba (PR) — é formado em Medicina pela PUC-PR. Participou da primeira turma da Apple Developer Academy. Trabalha como médico de urgência e emergência no pronto atendimento do Nossa Saúde. No mundo da tecnologia, trabalha com interfaces conversacionais na empresa Robô Laura. Também é sócio da Experio.

Lohann Coutinho — 26 anos, Curitiba (PR) — é formado em Sistemas de Informação pela PUC-PR. Participou da primeira turma da Apple Developer Academy. É desenvolvedor Full-Stack na First Foundry, empresa americana com sede no Vale do Silício, trabalhando no desenvolvimento de soluções em Blockchain. Também é sócio na Experio.

Como surgiu:
No ano de 2015, o sócio e cofundador João Pedro Novochadlo atuava como voluntário no Instituto Paranaense de Cegos. Lá, teve contato com o dia a dia de pessoas com deficiência visual. Uma das principais coisas que ele notava era a alta quantidade de alunos que chegavam atrasados porque tinham perdido o ônibus. Os motivos eram normalmente os mesmos, como conta: “Não havia ninguém no ponto para falar qual ônibus estava vindo ou o motorista tinha passado reto”. Nesse mesmo ano, a prefeitura de Curitiba realizou uma hackathon, com o intuito de encontrar soluções tecnológicas para a cidade. Em meio a discussões, foi proposta pela equipe do qual João e os atuais sócios participavam uma solução assistiva que atendesse os deficientes visuais. Eles viram na ideia um enorme potencial de impacto social. A proposta acabou sendo vencedora da competição e, no final do ano passado, passou de status de projeto a ser realizado com a Prefeitura de Curitiba a startup.

Estágio atual:
A ideia foi testada e já é um MVP pronto para ser lançado durante o 2º semestre de 2019, tanto para iOS quanto para Android. Para o lançamento, foram selecionados estabelecimentos em frentes de negócios diferentes: uma instituição de ensino, um restaurante, um shopping center e um museu. A startup também está em fase de negociação para a implementação no transporte público de uma metrópole.

Aceleração:
“Não buscamos ativamente, mas se surgir uma boa oportunidade de agregar valor à startup, estamos dispostos a participar de um programa de aceleração”, afirma João Pedro Novochadlo.

Investimento recebido:
Os sócios investiram 30 mil reais na startup.

Necessidade de investimento:
“É o momento de convencer as iniciativas públicas e privadas da importância de adesão à tecnologia. Só assim ela cumprirá seu papel social e conquistará sustentabilidade financeira para chegar mais longe”, conta o cofundador.

Mercado e concorrentes:
“O Brasil possui, apenas no segmento de pessoas com deficiências visuais, aproximadamente 6,6 milhões de pessoas, das quais a maior parte delas pode se beneficiar do Veever. Entretanto, as possibilidades de impacto trazidas por uma rede de beacons é muito mais abrangente do que isso. Temos a intenção de criar uma infraestrutura nacional e até global de dispositivos que, uma vez instalada, beneficiará não apenas pessoas com deficiência visual, como também todas as pessoas no mundo, fornecendo informações e direções”, afirma João Pedro Novochadlo. Ele aponta como concorrentes mundiais a RightHear, os apps Microsoft Soundscap e Blindsquar e a ONG Wayfindr. “Algumas alternativas nacionais existentes hoje podem ser consideradas complementares à solução do Veever como os pisos táteis, semáforos sonoros, identificação em braille, mapas táteis ou por áudio, bem como o GPS.”

Maiores desafios:
“Escalar a tecnologia para crescimento. Considerando que estamos lançando o Veever e nossos primeiros clientes serão, por exemplo, o sistema de transporte público de uma metrópole no setor público e um grande shopping center no setor privado, estamos fazendo uma análise profunda das implementações e trabalhando em estreita colaboração com as pessoas dessas instituições. Sabemos que isso não é escalável, mas necessário nos estágios iniciais para entender e melhorar a solução e a implementação.”

Faturamento:
Ainda não fatura.

Previsão de break-even:
Outubro de 2021.

Visão de futuro:
“Hoje o Veever é uma startup com uma solução para atender as dificuldades de pessoas com deficiência visual. Entretanto, temos o objetivo de criar uma infraestrutura nacional e até global de beacons que, uma vez instalada, beneficiará não apenas pessoas com deficiência visual, como também todas as pessoas no mundo, fornecendo informações e direções”, fala João Pedro Novochadlo

Fonte: Projeto Draft