Dificuldades de adolescente com deficiência visual inspiram projeto de lei que prevê cardápios em braile em Araxá

As dificuldades de Marcus Vinícius Lima Dornelas, um estudante de 15 anos e deficiente visual, inspiraram a criação de um projeto de Lei que prevê a criação de cardápios em braile na cidade de Araxá, no Alto Paranaíba. O texto foi aprovado, por unanimidade, pela Câmara Municipal em maio deste ano e foi encaminhado para a sanção da Prefeitura.

De acordo com o vereador e autor do projeto, Claudenir Dias (PP), o documento também prevê adaptações para outros tipos de necessidade de um deficiente visual, como semáforos sonoros e sonorização em pontos do transporte coletivo municipal, que indica qual linha de ônibus chega ao local.

Conforme o texto do projeto, fica instituída a obrigatoriedade da utilização de cardápios impressos em braile, em todos os estabelecimentos que comercializam refeições e lanches, tais como: bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis, motéis e similares, de forma a facilitar a consulta de pessoas portadores de deficiência visual.

No cardápio deve constar o nome do prato, os ingredientes utilizados no preparo e o preço do produto, além da relação de bebidas servidas e os respectivos preços. O texto diz, ainda, que caberá aos órgãos competentes do Município em cada esfera, a orientação técnica-normativa para implantação e fiscalização das determinações desta Lei.

Projeto ‘Juventude Cidadã’

Marcos Vinícius participou do projeto “Juventude Cidadã”, que leva várias escolas do município à Escola do Legislativo. Como parte do projeto, os alunos presidem uma sessão da Câmara, sugerem melhorias e cobram os vereadores.

Quando participou do projeto, o adolescente presidiu a reunião e sugeriu mudança em prol dos portadores de deficiência visual. A ideia chamou a atenção do vereador, que criou o projeto, aprovado por unanimidade em maio.

“Ele trouxe em braile as suas reivindicações. Ele é deficiente visual e aqui, quando ele falou do cardápio, que tinha essa dificuldade de chegar nos restaurantes e lanchonetes, me veio esse ‘insight’, essa luz”, contou o vereador.

A sugestão de Marcus se tornou a Lei 050/2019. E ele se orgulha do feitio. “Eu me senti valorizado, pensei: ah, legal demais. Porque eu vi que a minha voz foi ouvida”, contou.

A equipe do MG2 acompanhou o adolescente à uma lanchonete e presenciou a dificuldade relatada por ele. O tio de Marcus, o músico Marcelo José de Lima, precisou ler o cardápio para o estudante escolher o que comer.

“Quando ele vai lanchar, em qualquer parte que ele está, porque hoje ainda não é adaptado os lugares, eu estou lá com ele [para ler o cardápio]. Ele é o nosso maior orgulho. Então, o que a gente puder fazer pra ele, investir, para que venham outros projetos além deste aí, que pode melhorar, não só pra ele, mas para as outras pessoas”, externou.

Fonte: G1 MG