Estudante de Rio Claro cria pulseira com vibração para alertar deficientes visuais dos obstáculos

Um estudante do curso técnico em eletroeletrônica da Escola Técnica Estadual (Etec) Professor Armando Bayeux da Silva, em Rio Claro (SP), desenvolveu uma pulseira com tipos de vibrações para alertar pessoas com deficiência visual sobre o obstáculos no caminho. O protótipo ficou pronto em cerca de dez meses e custou R$ 300.

Luan Henrique de Oliveira, de 22 anos, pensou no projeto voltado à acessibilidade e começou a desenvolver a bengala eletrônica. “Depois de montar o circuito e funcionar, me desafiei a buscar mais inovação. Tive a ideia da pulseira e explorei isso”, disse.

Oliveira ressaltou que, mesmo com o uso da pulseira, a bengala é necessária porque serve como um sensor mecânico para detectar obstáculos abaixo da cintura.

Sensor de obstáculo

Estudante de Rio Claro cria pulseira com vibrações para alertar os obstáculos para deficientes visuais — Foto: Jemima Campos

Estudante de Rio Claro cria pulseira com vibrações para alertar os obstáculos para deficientes visuais — Foto: Jemima Campos.

A pulseira detecta todos os obstáculos acima da linha da cintura até dois metros à frente e tem quatro modos de vibração conforme a aproximação do obstáculo.

De dois a um metro e meio, a pulseira vibra intermitente, ou seja, vibra um pouco e para por um tempo. Entre um metro e meio a um metro de aproximação ela vibra por mais tempo e para. Ao chegar à distância emergencial, de 50 a 15 centímetros, ela vibra constantemente sem intervalos.

De todos os projetos apresentados na Etec, o de Oliveira foi o único voltado para acessibilidade. Ele disse que pensou em desenvolver no equipamento algum tipo de alarme sonoro, mas lembrou que existem deficientes visuais que também são deficientes auditivos e isso dificultaria para eles.

Testes

 Luan Henrique de Oliveira, de 22 anos, desenvolveu pulseira para deficientes visuais em Rio Claro — Foto: Jemima Campos

Luan Henrique de Oliveira, de 22 anos, desenvolveu pulseira para deficientes visuais em Rio Claro — Foto: Jemima Campos

Durante a fase de produção da pulseira, o estudante contou com a colaboração de deficientes visuais para testar as ideias, distâncias e a maneira de vibração do acessório. Com isso, ele recebeu um feedback positivo.

Segundo ele, em um dos testes ele deixou um portão aberto e, usando a pulseira, um deficiente visual chegou ao ponto e parou. Se a pulseira, o voluntário trombou contra o portão. “O rapaz que testou disse que se sentiu mais seguro”, disse o estudante.

Segundo ele, a criação ainda é um protótipo que precisa de ajustes na altura e troca do sensor utilizado. Oliveira, que pretende cursar engenharia biomédica, quer aprimorar ainda mais o equipamento.

“Tem muito a ser melhorado tanto no design quanto nos materiais e componentes que foram usados mais econômicos para fazê-lo funcionar. Queria ter feito em 3D, mas a impressão do desenho ficou em R$ 350, então precisei buscar algo para adaptar”, disse.

O professor orientador do projeto, Eduardo Lima, explicou que a pulseira pode ganhar ainda mais recursos, como GPS, aplicativos de locomoção e localização. “O objetivo final é dar autonomia ao deficiente visual”, disse.

Equipamento aprovado

Pulseira que emite vibrações para alertar deficientes visuais sobre obstáculos foi desenvolvida por estudante em Rio Claro — Foto: Jemima Campos

Pulseira que emite vibrações para alertar deficientes visuais sobre obstáculos foi desenvolvida por estudante em Rio Claro — Foto: Jemima Campos

O estudante confessou que ficou assustado com a repercussão da criação e feliz com o resultado obtido. “Na visita à Organização Não Governamental (ONG) ouvi muitas histórias de vida, deficientes falando que a pulseira melhoraria a vida deles e esse era o objetivo que tinha com o projeto”, disse.

“Qualquer ajuda que a gente tiver é muito bem-vinda porque auxilia demais a gente”, disse o deficiente visual aposentado Anderson Alberto Boim.

A também aposentada e deficiente visual Bernadete Ribeiro dos Santos achou aprovou a ideia. “Dá a sensação de mais segurança.”

“Quando a gente encontra pessoas que querem desenvolver projetos para melhorar a qualidade de vida deles é uma felicidade muito grande”, disse a diretora da ONG, Rita de Cássia Silva Leite.

Deficientes visuais comemoram maior autonomia com uso de pulseira que vibra para alertar sobre obstáculos — Foto: Paulo Chiari/EPTV

Fonte: G1 -EPTV São Carlos e Araraquara