Primeiro Torneio Sócio Educativo de Goalball ocorre no Ginásio Municipal Karosso

Hoje durante toda manhã e tarde ocorre o Primeiro Torneio Sócio Educativo de Goalball no Ginsário Municipal Karosso, na rua Álvaro Chaves 2000. O evento tem por objetivo a conscientização do cuidado da visão, inclusão social através do esporte e a prática desportiva do deficiente visual na modalidade Goalball.

A primeira parte houve a rodada com os jogadores com o auxílio de videntes e na segunda todos de olhos vendados.

Conversamos antes do jogo com dois jogadores com deficiência visual . Uma delas é a Julceia Schulz. ” É primeira vez, agora eu quero ver como faz ,e quero falar pra professora Fernanda que quando tiver uma turma quero entrar, por enquanto é só expectativa mesmo”. E ela ressalta ainda a importância do goalball na autonomia dos deficientes visuais. Ah sim , eu sei que tem vários eventos como esses jogos assim acho bem legal”, finaliza.

O outro é o Jorge Machado e ele nos conta um pouco sobre essa expectativa em relação ao torneio. Eu tinha visto uma vez com a professora Fernanda, mas nunca tinha participado .Hoje é que vim até por curiosidade mesmo. É bom até vou começar a participar porque faz sete ano que fiquei cego e é uma vida nova para mim. Tudo que puder fazer para participar assim vou fazer. Até porque engordei um pouco. Agora há pouco fiz no aquecimento, dei uns pulinhos fiquei quase morrendo de cansaço. Então,o esporte vai me fazer bem porque ele é saúde.”.

A promoção do evento é da Associação Escola Louis Braille com parceria do Programa Proesporte da Prefeitura de Pelotas.

Mais sobre o Goalball

Diferente de todos os outros esportes paralímpicos, o goalball é o único que não foi adaptado. A modalidade foi criada especialmente para pessoas com deficiência visual, em 1946, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Pensando na socialização e readaptação dos veteranos da guerra que haviam perdido a visão, a austríaco Hanz Lorezen e o alemão Sepp Reindle criaram o esporte.

O goalball foi apresentado pela primeira vez nos Jogos de Toronto, em 1976 e partir das Paralimpíadas de Arnhem, em 1980, entrou definitivamente no programa dos Jogos, inicialmente, apenas com atletas do sexo masculino. Foi só em 1984, nos Jogos de Nova York, que as mulheres começaram a competir na modalidade.

No Brasil, o esporte chegou em 1985, a princípio, no Centro de Apoio ao Deficiente Visual (Cadevi), na cidade de São Paulo. O responsável pela introdução da modalidade foi o professor Steven Dubner. Inspirado por ele, o também professor Mário Sérgio Fontes levou o goalball para a Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (Adevipar).

Ainda em 1985 aconteceu a primeira competição entre as duas equipes. O entusiasmo foi tamanho, que dois anos depois foi realizado o primeiro primeiro Campeonato Brasileiro de Goalball, na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais.

Apesar de a primeira participação em uma Paralimpíada ter acontecido somente em 2004, com a equipe feminina, hoje o Brasil é uma das potências mundiais do esporte. A partir daí, as participações foram ficando cada vez mais expressivas, tanto que nos jogos seguintes o país teve representantes de ambos os sexos.

Em 2012, durante os Jogos de Londres a seleção brasileiras masculina atingiu seu ápice, com a inédita medalha de prata. Em 2016, jogando em casa, a seleção garantiu o bronze.

Mundialmente, desde 1982 o esporte é gerenciado pela Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA). Nacionalmente, a gestão era de competência era da Associação Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC). A partir de 2010 a administração ficou a cargo da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).

Regras do Goalball

Por se tratar de uma modalidade não adaptada, as regras são próprias do goalball. Confira quais são as principais:

  • Vence a partida a equipe que marcar o maior número de gols;
  • A partidas são disputadas em dois tempos de 10 minutos, cada. Entre eles, há um intervalo de 3 minutos;
  • Ao final, se o jogo permanecer empatado, joga-se uma prorrogação de mais seis minutos, divididas em dois tempos de 3 minutos;
  • Caso uma das equipes marque mais de 10 gols de diferença em relação a outra, acontece o chamado game e a partida é encerrada;
  • Cada jogo é disputado entre duas equipes, sendo que cada uma delas é formada por três jogadores;
  • As posições são, ala direita, ala esquerda e pivô;
  • Os jogadores competem com vendas nos olhos, para assegurar a igualdade nas condições;
  • A classificação é feita segundo o grau de deficiência dos jogadores;
  • O arremesso das bolas é feito de forma rasteira, sempre tocando nas áreas determinadas, para que o lance seja válido;
  • Durante o jogo podem ser feita quatro substituições, sendo que a primeira, necessariamente, deve ser feita no primeiro tempo. Caso ela não ocorra, o número cai para três;
  • As partidas são supervisionadas por dois árbitros, dois cronometristas, dois anotadores e quatro juízes de linha;
  • O diâmetro da bola é de 76 cm, enquanto o peso é de 1,25kg.

Quadra

A quadra de goalball possui as mesmas dimensões que uma quadra de vôlei. São 9 metros de largura por 18 metros de comprimento. O gols medem 9 metros de largura por 1,2 metros de altura.

Para facilitar a orientação tátil dos jogadores, as marcações da quadra são feitas por barbantes presos com fita adesiva, que facilita a localização espacial pelo toque.

Classificação

No goalball os atletas são classificados em três categorias, de acordo com o grau de deficiência. Eles competem juntos, ou seja, em uma equipe podem ter jogadores totalmente cegos, e alguns que possuem acuidade visual parcial.

Quanto menor o código de classificação, maior o grau de deficiência. Para garantir a igualdade de condições, todos jogam de olhos completamente vendados. Veja os detalhes sobre cada uma das classes:

B1 – os jogadores são totalmente cegos, portanto, de nenhuma percepção de luz nos dois olhos, até a percepção de luz, mas sem a capacidade de reconhecer o formato de uma mão, em qualquer distância ou direção.

B2 – os atletas possuem percepção de vultos. Parte da capacidade de identificar o formato de uma mão, até a acuidade visual de 2/60 e/ou campo visual inferior a cinco graus.

B3 – os jogadores conseguem definir algumas imagens. Parte da acuidade visual de 2/60 a acuidade visual de 6/60 e/ou campo visual de mais de cinco graus e menor que 20 graus