Roda de Conversa dentro do projeto Nem Chá nem Café sobre a professora e escritora negra Pelotense Maria Helena Vargas da Silveira

Hoje à tarde das 13h30min às 15h houve a roda de conversa com as alunas e alunos da Escola Louis Braille com as parentes da homenageada Maria Helena Vargas da Silveira, do projeto Nem Chá Nem Café, Juliana Dutra e Dena Vargas.

Elas falaram sobre suas vivências com a Maria Helena e todo legado educativo, cultural e de resistência deixado por ela. A coordenação foi da professora das questões étnico-raciais Eliana Barcellos (Nany) e da professora de música, Daniela Brizolara. Além de questionamentos por parte dos alunos para as visitantes, houve o canto do poema Poeira da Maria Helena.

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Sobre o projeto Nem Chá Nem Café degustamos História e Cultura Negra

O projeto é executado na Escola Louis Braille desde 2007 de autoria da professora Marielda Barcellos. Ele visa a conscientização através da educação sobre as questões da negritude, enfrentamento ao racismo e ao preconceito por meio da valorização da história, e cultura negra.

Maria Helena Vargas da Silveira- Helena do Sul

Maria Helena Vargas da Silveira nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1940. Detentora de uma sólida formação acadêmica, diplomou-se em Pedagogia pela UFRGS. Conforme se pode ler no trecho abaixo, retirado do site da escritora, Maria Helena relata como a tríade família, terra natal e pertencimento étnico a ajudaram encontrar inspiração para compor suas obras.

“Sou uma negra, pelotense. Admiro muito a minha terra natal, pois  representa o espaço onde teve início tudo que sou, o lugar em que viveram meus pais, meus avós, meus amigos, gente que me legou uma estrutura interior muito boa. Tenho certeza que herdei um pouquinho de cada um deles. Quem foram eles? Meu pai, minha mãe e meus avós”. (http://rainhaginga.sites.uol.com.br)

Ao ler e analisar suas obras, percebe-se que, dentre os fatores que compõem a tríade, a família é o que atua com maior força na escrita de Silveira. Tendo em vista esse fato, é necessário saber um pouco sobre esses familiares para conhecer a mulher, a mãe e a escritora. Seu pai – José Francisco da Silveira – motorista de profissão, gostava de música, tocava reco-reco e desfilava na Escola de Samba Ramiro Barcelos, a verde e rosa de Pelotas. Zé bigode, apelido pelo qual era conhecido, tinha uma personalidade muito forte e como sua filha o caracteriza, “assumidamente negro e sem cerimônia, fazia com que as pessoas se assumissem, quando ele notava que elas possuíam certas reservas em se mostrar como pertencentes à camada dos negros”. A mãe, Maria Yolanda Vargas da Silveira, era costureira e tinha o hábito de transformar em versos fatos que permeavam o cotidiano. Ela acreditava que era através da educação que se alcançava à liberdade, por isso fez de tudo para que os três filhos chegassem até a universidade.

Seu avô paterno, Armando Vargas, era gráfico, revisor, secretário, poeta, cronista e articulista do jornal A Alvorada, semanário da negritude pelotense. “Em seus textos, muito clamava pela justiça social, falava em luta dos operários, discriminação racial, desemprego, ao mesmo tempo em que era capaz de falar de amores, natureza, carnaval, esperanças, era muito amoroso”. O traço em comum entre eles é assim apontado pela neta: “assim como o meu avô, detesto discurso que não tenha a ver com a minha prática. Quero sempre poder dizer e fazer, percorrer e dar retorno,  sou cobradora de mim mesma, em muitas questões, mas não perco a esperança. Minha prosa não se abate. Seus apelos geraram progresso”.

É Fogo (1987), seu primeiro livro, é uma narrativa de denúncia do preconceito racial nas instituições de ensino, em que a autora lança mão de fatos por ela vividos em seu tempo de escola. Suas outras obras transitam pelo romance, poesia, crônica, contos e textos satíricos. A última publicação de Silveira foi o conto “As Filhas das Lavadeiras”. Além dessas obras, a autora tem participação em diversas coletâneas de textos literários e ensaísticos.

A escritora coordenou e executou trabalhos comunitários com crianças, jovens e mulheres, assessorou os planos de integração escola-comunidade e prestou consultoria a projetos voltados para a formação continuada de professores que atuam em Comunidades Remanescentes de Quilombos. Por suas obras e trabalhos realizados junto às instâncias comunitárias, Maria Helena concorreu a vários prêmios. Em 1997, foi indicada ao troféu Zumbi. No mesmo ano venceu o concurso história de trabalho, categoria troféu Zumbi, com o conto “Conversa de Negro”. Além de troféus, recebeu diversas homenagens. Em 1995, foi patrona da feira do livro em São Lourenço do Sul. E em 2000, foi admitida na Academia Pelotense de Letras.

Em Janeiro de 2009, uma grande perda se abateu sobre os filhos – Eder e Shaiane -, netos, amigos e leitores de Maria Helena Vargas da Silveira: ela faleceu em Brasília, onde estava radicada há mais de dez anos, vítima de aneurisma. A fonte é a página do curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).