Parceria entre Observatório do Valongo e Instituto Benjamin Constant leva a astronomia para deficientes visuais

Um projeto interdisciplinar do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem levado acessibilidade ao ensino de Astronomia para quem não pode enxergar plenamente a beleza das estrelas.

Batizado de Universo Acessível, o projeto foi criado com o objetivo oferecer material sobre o tema para deficientes visuais que visitam o observatório.

Através de uma parceria com o Instituto Benjamin Constant , o projeto cria moldes em terceira dimensão e apostilas táteis que oferecem informações sobre os planetas e as estrelas.

“É uma questão de cidadania, de inclusão social para essas pessoas que não enxergam. O primeiro material que a gente desenvolveu e testou foi uma lua de 70 centímetros de diâmetro”, explicou Sílvia Lorenz-Martins, professora de Astronomia da UFRJ e coordenadora do projeto.

O acervo do Observatório conta com esta primeira reprodução da lua, que atualmente está exposta no Instituto Benjamim Constant, além de planetas e estrelas.

O grupo também fez, em parceria com o instituto, uma apostila com versão em braile e com reproduções texturizadas dos planetas do sistema solar. Uma outra apostila, com mais informações sobre o sistema solar e de outros planetas também está sendo preparada. Há a previsão de confecção de uma terceira, que terá estrelas e galáxias como tema.

Primeira reprodução da Lua feita pelo projeto, atualmente em exibição no Instituto Benjamin Constant — Foto: Divulgação/ Universo Acessível

O grupo que coloca a mão na massa para fazer as reproduções táteis dos planetas e as texturas é interdisciplinar e conta com alunos dos cursos de Astronomia, Belas-Artes, Matemática e Terapia Ocupacional.

“Aqui faz todo o sentido produzir materiais que vão favorecer que crianças e adolescentes estão participando da educação. São públicos diferentes, que têm questões diferentes, mas que todo mundo tem o direito de estar ocupando esse espaço. É um direito humano”, destacou Elisa Maria, aluna de Terapia Ocupacional, sobre a importância do projeto na sua formação.

Aluna do curso de Astronomia da UFRJ trabalha na confecção da reprodução de planeta — Foto: Gustavo Wanderley/ G1

Aluna do curso de Astronomia da UFRJ trabalha na confecção da reprodução de planeta — Foto: Gustavo Wanderley/ G1

Artesanato e ciência

Materiais comuns usados em artesanato, como isopor, tecidos e tintas ajudam a dar vida às versões de planetas e estrelas. A maioria deles sai do bolso da professora responsável. Ela busca parcerias para impulsionar a confecção das reproduções.

O conhecimento do estudo de Astronomia faz a diferença. As reproduções da Lua foram feitas com base nos mapas reais do satélite natural da Terra, alguns deles da Nasa, a agência espacial americana, já que ela é bem mapeada. As imagens ajudam a definir quais são os pontos das reproduções das principais crateras.

Fonte: G1 Rio de Janeiro