Cláudio Teixeira: um guerreiro da inclusão da deficiência visual e da diversidade LGBT

Temos inúmeros exemplos de superação, garra, determinação e resistência na própria escola Louis Braille são diversos. Mas um em especial que é de fora de Pelotas, vindo da cidade de Cachoeira do Sul, região central do estado, Cláudio Teixeira, trava uma luta constante na questão da inclusão das pessoas com deficiência visual e também do público LGBT.

Vamos conhecer um pouco da história desse guerreiro da inclusão e da diversidade. Ele vem toda terça-feira para ser atendido no Centro de Reabilitação Visual da Louis Braille. Em Cachoeira, Cláudio é vice-presidente da Associação dos Deficientes Visuais e Cegos da cidade. A Associação foi criada com o Intuito de mobilizar e inserir todos os Deficientes Visuais e Cegos de Cachoeira do Sul. Além disso, trabalha e tem uma militância importante dentro do Coletivo LGBT Nickolle Rocha no qual promove a igualdade sexual e de gênero, orienta, instrui, debate, articula e comunica sobre a temática LGBT na cidade.

Ele nos explica um pouco dessa luta. ” Essa luta começou em 2010, eu tinha minha identidade de gênero como mulher trans, Então, ela desde sempre esteve presente. Há 10 anos , foi numa boate do público tradicional hétero quando tive uma violação de direito. Isso aconteceu quando as mulheres pagavam cinco reais , homens quinze, fui com uma amiga minha também trans. Eles nos cobraram um valor exorbitante em torno de trinta reais cada uma. Na época ainda enxergava. Nesse período eu tinha 25 anos e tive essa violação de direito. Isso tudo me levou à depressão e outra patologias digamos assim. Ainda nessa questão ,em 2010 fomos até o banheiro feminino , a segurança feminina pediu que saíssemos eu e a minha amiga trans e fossemos para o banheiro masculino escoltadas por seguranças da boate ou que saíssemos do local pra irmos para rua fazermos as necessidades. Além da depressão, tive sinusite, meningite e quando em 21 de novembro de 2011 perdi minha visão.

De lá para cá tive que aprender tudo de novo e mesmo assim não me calei porque eu vejo hoje em dia que nós pessoas com deficiência seja ela visual, intelectual, auditiva ou física, motora, enfim somos tratados como assexuados. Que a gente não tem uma identidade de gênero. Só que isso é totalmente ao contrário. Possuímos vontades, sexualidade, identidade e isso tudo me trouxe não digo complicações psicológicas, mas tento trabalhar isso todo dia. Até porque são duas formas de preconceitos bem sérios. Uma pela questão da deficiência visual e outra pela da identidade de gênero e sexualidade. Eu como uma mulher trans antes até 2010, tive meus direitos violados. Depois como pessoa com deficiência continuei tendo. Tanto que hoje eu veio aqui pra Louis Braille devido a uma causa judicial que entrei para fazer minha reabilitação custeado pelo estado”.

Cláudio ainda falou em que momento descobriu o trabalho da Escola Louis Braille e luta pela inclusão lá em Cachoeira do Sul. ” A luta lá na cidade eu venho fazendo desde 2017, quando retornei a morar lá, aos poucos conseguimos uma acessibilidade ,uma inclusão com a questão da deficiência visual. Exemplos como piso tátil, acessibilidade como um todo das pessoas com deficiência visual. Eu descobri através de uma amiga minha que aqui no Braille seria um centro de referência para o estado na reabilitação visual e onde teria um atendimento completo de reabilitação para mim e optei vir para cá. Tentei trazer outras pessoas com deficiência visual para fazer esse atendimento aqui , mas há ainda uma resistência pelo fato de a pessoa com deficiência ser pela parte familiar tratadas como pessoa muitas vezes incapaz , viver na zona de conforto , não sair disso, não enfrentar as barreiras longitudinais , arquitetônicas, urbanísticas. Até porque elas são bem graves. Trabalho essa questão das barreiras, tentando melhorar o município”.

Ele ainda fala quais os atendimentos que recebe no Centro de Reabilitação e que merecem ser citados e divulgados para seu desenvolvimento , dos quais muitas pessoas não sabem como funciona. “A questão da informática, temos o leitor de tela no computador, nos celulares também, a orientação e mobilidade que é andar com a bengala,pode ter autonomia, independência para poder andar sozinho , ter o direito de ir e vir. Também a atividade de vida diária , são serviços assim que aprendemos bastante, tem todo um conhecimento porque como perdi a visão há 8 anos, reaprendo a ler e escrever com braille. Esse atendimento do sistema braille, da orientação e mobilidade, e outros que já citei vem fazendo com que a minha vida além da autonomia que já tenho me traz mais conforto e segurança de estar, ser deficiente visual , uma questão que não volta, mas permanente. Essas atividades a gente tem toda o conforto e autonomia, para fazer e estar ali sendo assistido por profissionais capacitados ,qualificados em suas áreas.

E por fim, Cláudio descreve suas atividades, se estuda e trabalha ou apenas uma coisa ou outra e como ele tem conseguido superar as limitações impostas pela sociedade e ao receber esses atendimentos. ” Eu tenho atualmente estudado bastante, prestei o ENEM ano passado, este ano tentei ingressar numa faculdade, só que ainda não fui chamado. Com os atendimentos no centro de reabilitação procuro sempre levar esse conhecimento. Que as outras pessoas não nos limite além das nossas limitações. Perdi a visão com 26 anos e de três anos para cá moro sozinho. Vivo minha vida, tenho toda autonomia, independência e trabalho essa pauta da identidade de gênero. São portas que podem nos fechar de certa forma , mas que isso não influencie na minha luta do dia dia”,finaliza.

Mais informações sobre os atendimentos no Centro de Reabilitação Visual (CRV) Louis Braille através do telefone fixo do centro, 53 3222-2151 ou ainda através do email centroreabilitacaovisualllb@hotmail.com. Ele está localizado anexo à Escola , pela rua Padre Felício. também por meio da página do Facebook, Associação Escola Louis Braile.

Também sobre Associação dos Deficientes Visuais e Cegos de Cachoeira do Sul entre em contato pelo telefone (51) 99920-7140 , email advcc.cachoeiradosul@gmail.com ou ainda na página do Facebook Associação dos Deficientes Visuais e Cegos de Cachoeira do Sul