Coronavírus: pessoas com deficiência fazem parte do grupo de risco

Em meio à pandemia da Covid-19, pouco se fala sobre os cuidados que devem ser tomados com as pessoas com deficiência. Trata-se de algo preocupante, já que muitas patologias associadas a certos tipos de deficiência também colocam esse público no grupo de pessoas que exige atenção e cuidados especiais (grupo de risco). 

Como é o caso, por exemplo, da síndrome de Down, que geralmente gera uma malformação cardíaca que leva ao risco de desenvolvimento de complicações ocasionadas por qualquer infecção, não apenas pelo coronavírus, mas também resfriados comuns, bronquiolite ou pneumonia.

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta mundial sobre a respeito dos cuidados necessários. No texto, a relatora especial da ONU Catalina Devandas afirma que pouco tem sido feito para orientar e apoiar esse público na prevenção contra a Covid-19, ainda que muitas dessas pessoas pertençam ao grupo de alto risco.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 22% da população (45 milhões) têm algum tipo de deficiência. Além disso, pessoas com deficiência em condições genéticas ou neurológicas que tomam remédios específicos, têm restrições respiratórias ou dificuldades profundas de comunicação, precisam ser monitoradas com atenção redobrada. Sendo assim, aqueles que cuidam de pessoas com deficiências severas, físicas ou intelectuais, também precisam ficar alertas e fortalecer as medidas de prevenção.

Cuidados 

A Associação de Pais Banespianos de Excepcionais (Apabex), que promove atendimento especializado a pessoas com deficiência intelectual, reuniu seu quadro de especialistas, como geriatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais para esclarecer pontos importantes sobre os cuidados das pessoas com deficiência nesse cenário.

“A nossa missão é acolher, cuidar e incluir pessoas com deficiência intelectual adulta e idosa, e com esta pandemia do Covid-19, precisamos protegê-los ainda mais, para evitar ao máximo o risco de contágio e que a situação deles se agravem. Vamos juntos, superar este momento e continuar proporcionando qualidade de vida para todos os nossos atendidos”, comenta Vanessa Brustolin, coordenadora técnica da Apabex.

• Deficiência intelectual

Podem exigir supervisão e ter dificuldade em entender e seguir as recomendações. Por isso, o cuidador precisa manter ainda mais presente nesses casos.

• Deficiência visual

Aumentar a frequência da higienização das mãos, devido ao maior uso do tato, após qualquer toque. É preferível ainda que, ao serem guiados por alguém, essas pessoas segurem no ombro de quem for guiá-lo, ao invés de tocar a mão.

• Deficiência auditiva (Libras)

É fundamental que se evite tocar o rosto enquanto sinaliza e, caso o faça, é importante higienizar constantemente as mãos.

• Surdocegueira

Como se comunicam usando contato físico, devem higienizar as mãos e antebraços.

• Cuidadores e enfermeiros

Higienizar-se antes de qualquer contato ao chegar da rua. Isso vale também para familiares e amigos: usar máscara caso tenham tido contato com casos suspeitos e se, apresentarem sintomas de gripe, evitar contato.

Fonte: Folha Vitória