Deficientes visuais relatam dificuldades em suas rotinas durante a pandemia

Os deficientes visuais relataram ao RJ1 dificuldades em suas rotinas com o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus. Entre elas estão os cuidados com higiene e a informação veiculada pelas autoridades de saúde.

A forma de transmissão do coronavírus pode ser ainda mais ameaçadora para os deficientes visuais, porque é pelo tato que eles leem, pedem ajuda e se orientam. As restrições atuais deixaram o dia a dia dos deficientes visuais com mais limitações.

O advogado e professor universitário Josemar Araújo conta que, antes da pandemia, chegava em casa, colocava a mão na parede e se guiava. Agora, precisou mudar a forma como transita pelo local.

“Agora, eu venho com a bengala, acho a porta, entro e faço logo a higienização da bengala. Antes de entrar, a primeira providência é tirar o álcool do bolso, lavo a mão, passo bastante aqui na porta, ainda, passo no pano e vou higienizando a bengala de cima para baixo”, disse Josemar.

Gilson, técnico do Judiciário, também passou a higienizar além das mãos, os óculos e a bengala. “A questão do coronavírus mudou toda a minha vida, tive que me readaptar. Tenho ficado em casa o maior tempo possível. Só saio quando preciso ir ao mercado, comprar alguma coisa que acabou”, declarou ele.

A psicanalista Andreia Ladislau diz que uma recomendação que está sendo passada para dos deficientes visuais é de não segurarem nos cotovelos das outras pessoas, já que elas estão usando os cotovelos para cobrir o rosto quando tossem. O ideal agora é se apoiar no ombro do parceiro, ou da pessoa que está ajudando na locomoção.

Luis, que só tem 5% da visão, reclama ainda da dificuldade no acesso à informação nos anúncios feitos pelas autoridades de saúde.

“Eles não têm feito a áudio descrição das informações. Isso tem sido um problema. Muito se fala em lavar as mãos, mas a pessoa cega com baixa visão não consegue ao menos ver o vídeo institucional da campanha informativa e ter acesso em igualdade de oportunidades com as demais pessoas”, lamentou Luis.