Quarentena no RJ afeta rotina de pessoas com deficiência visual e de cães-guia

A quarentena, principal medida de proteção contra o coronavírus, modificou os hábitos e a rotina de todos, principalmente de pessoas com deficiência visual que precisam cuidar também da qualidade de vidas dos cães-guia.

Acostumados a remar de canoa e caminhar pela orla de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, o aposentado Carlos Eduardo Alvim e a Jade, cão-guia de um ano e meio, precisaram se adaptar durante a pandemia para manter o condicionamento físico.

“Para nós dois, está sendo muito complicado, mas a gente se adapta em casa, brinca. Alguns brinquedos a gente fica jogando para ela correr, para ela pular. Eu moro num prédio e são 13 andares. Três vezes na semana, eu vou até o 13º andar de escada com ela”, conta Carlos, que recebeu Jade dois anos após ficar cego por uma doença degenerativa aos 47 anos.

A psicóloga Camila Araújo Alves, cega há 15 anos após uma doença degenerativa, também usa os brinquedos para distrair o Astor, seu cão-guia, durante o isolamento social no Rio.

“Mudou tudo porque, durante o meu dia a dia, antes do isolamento social, o Astor saía comigo cedo de casa, voltava tarde… e, agora está o tempo inteiro em casa comigo cheio de energia porque ele não anda mais o tanto que ele andava”, explica.

Apesar das dificuldades, a psicóloga acredita que o isolamento vai aumentar o elo que já existe com o cão.

“É um coração que bate fora de mim e que me dá o que eu tenho de mais precioso na vida, que é a autonomia, liberdade, possibilidade de ocupar o mundo. Passar por um momento tão difícil desses vai aumentar o nosso grau de conexão porque, diariamente, é a pílula de alegria que eu tenho dentro de casa”, conclui Camila.

Treinamento dos cães-guia

Toda a inteligência dos cães-guia é estimulada desde cedo, em um processo de três etapas, que pode durar de um ano e meio a três anos.

Nos primeiros dias de vida, os cães já recebem massagens para desenvolver habilidades psicomotoras. Ainda filhotes, são apresentados a algumas dificuldades, como subir e descer rampas.

Na segunda etapa, os cães são entregues a famílias socializadoras, que adotam os animais por um ano para que se habituem com a rua, os sons e a cidade.

Na última fase, eles aprendem a desviar de obstáculos como cones, cadeiras e até canos suspensos na calçada. Por fim, os cães ficam em um hotel, dentro do Instituto Magnus, um dos Centros de formadores de cães-guia do Brasil, convivendo com o novo dono, que foi selecionado especificamente para ele.

Fonte; G1 RIO