Escola municipal entrega tarefas adaptadas para aluno que tem 10% da visão

e todos os estudantes foram, de alguma forma, afetados pela pandemia, Victor Robusti, de 9 anos, teria tudo para ser afetado ainda mais. Aluno da EMEB Geraldo Pinto Duarte Paes, no Eloy Chaves, ele reside numa fazenda isolada, no pé da Serra do Japi, e além de deixar de frequentar as aulas presenciais, enfrenta outro desafio: vítima de uma inflamação do nervo ótico quando tinha dois anos de idade, ele tem hoje apenas 10% da visão.

Suas aulas, porém, não foram interrompidas, e continuam à distância, com tarefas enviadas por e-mail e pelo grupo de WhatsApp da sua turma da escola, que são recebidas pela mãe Andréa, já que o pai de Victor, Antonio Luiz, também tem deficiência visual. “As tarefas são bem lúdicas, adaptadas à condição dele e muitas vezes ao universo da fazenda, que ele gosta muito”, conta. “Essa atenção e dedicação dada para Victor me deixa muito feliz. As professoras e toda equipe da escola foi Deus quem mandou. Sou muito grata a cada uma delas”.

Victor e o pai, Antonio Luiz, ambos com deficiência visual, e Andrea: tarefas são bem lúdicas e até adaptadas ao universo da fazenda

Victor Robusti de Oliveira Mendes Pereira faz parte de um universo de aproximadamente 800 alunos com deficiências, que são acompanhados de perto pela Unidade de Gestão de Educação (UGE) durante a pandemia. A deficiência visual representa uma minoria – apenas 19 alunos, ou cerca de 2,3% do total, e que inclui baixa visão, cegueira e surdocegueira; ainda assim, esses estudantes não ficam sem assistência.

Segundo a gestora da UGE, Vasti Marques, a Unidade de Gestão de Educação orienta as escolas para que, quando necessário, seja preparado um plano de desenvolvimento individual. “Esse plano é voltado para aquelas crianças com dificuldade de aprendizagem ou deficiências, e também para aquelas que superam as metas e precisam de mais atividades”, explica.

As tarefas são preparadas e entregues de acordo com as necessidades de cada um, segundo Karina Verardo, diretora do Departamento de Educação Inclusiva da UGE. “Há uma continuidade no trabalho; os estudantes recebem atividades de forma on-line ou presencialmente, e quando necessário estas atividades são adaptadas às especificidades de cada um, em parceria entre o professor do Atendimento Educacional Especializado e a equipe escolar, buscando envolver também as famílias nesse trabalho”, diz.

As lições são enviadas semanalmente pela professora Ana Cláudia Martinelli e são desenvolvidas em grandes folhas de papel – muitas vezes desenhadas por Andréa – e assistidas em vídeo pelo tablet de Victor. “As professoras são muito atenciosas e, além de enviarem às tarefas, acompanham constantemente e me perguntam se precisamos de ajuda, se está tudo bem. Esses gestos de carinho não têm preço, passam uma segurança e certeza de que não estamos sozinhos”, conta Andréa.

O pai de Victor, que tem 8% de visão após um AVC, também destaca a importância das adaptações para que os estudos possam prosseguir. “Não é necessário tanto para acontecer a inclusão; com pessoas dedicadas e dispostas tudo se torna possível”, diz.

Assessoria de Imprensa
Fotos: Fotógrafos PMJ